Os estímulos necessários para a inovação
Fabian Salum
Artigo publicado na Revista Exame em novembro de 2016
 
 
 
                                                                        Figura 01: Os estímulos necessários para a inovação
Como parte de uma pesquisa que venho conduzindo sobre os modelos de negócios praticado pelas empresas — cujos resultados espero, em breve, divulgar neste canal em primeira mão para os leitores da EXAME — realizei uma leitura detalhada sobre a competitividade de algumas nações. Encontrei no relatório de competitividade The Global Competitiveness Report 2016-2017 publicado pelo World Economic Forum (WEF) — documento que contou com o apoio de uma rede de mais de 160 instituições parceiras ao redor do mundo, sendo a Fundação Dom Cabral (FDC) uma delas — pontos que me chamaram a atenção.
O destaque que compartilho deste relatório se baseia em três aspectos conclusivos, a seguir:
(a) Estímulos monetários não são suficientes para promover a competitividade de uma nação, faz-se necessário estimular empresas e negócios por meio do empreendedorismo.
(b) Tecnologia e inovação são cada vez mais os drivers do desenvolvimento para um crescimento sustentável e competitivo das nações no contexto global.
(c) Os mercados fechados, muito influenciados e caracterizados pelo isolamento político e competitivo que surgiu após a crise do sistema global financeiro de 2008, proporcionam uma decadente perspectiva de crescimento e prosperidade.
O relatório ainda afirma que os mercados devem ser abertos para gerar incentivos, trocas de informações e tecnologias que propiciem ou estimulem o surgimento de negócios com o foco em ofertar valor para o cliente, ou seja, inovar em novos modelos de negócios ou quiçá revisar os existentes. Portanto, estaria errado quem acredita que apenas o salto da tecnologia seria capaz de alcançar uma maior competitividade em uma empresa ou uma nação.
É fato que a tecnologia desde o início dos anos 90 promove uma série de benefícios para a sociedade. Por outro lado, não seria, tampouco, um benefício isolado para uma empresa específica ou nação. Vivemos em um ecossistema totalmente interligado capaz de capturar valor criado pelos modelos de negócios de maneira dinâmica.
Dependemos muito uns dos outros. Em outras palavras: a interdependência criada no contexto do mundo globalizado é algo concreto e não se deve negligenciar os aspectos positivos e negativos desta relação. Este fato traz à tona uma discussão sobre a real dinâmica para inovar e criar valor dentro das empresas com seus respectivos modelos de negócios.
Pois bem, após esta preparação obrigatória e necessária, fui a campo para coletar algumas amostras qualitativas por meio de entrevistas. Realizei algumas delas diretamente com executivos de grandes empresas, no Brasil e fora do país, com negócios e clientes nacionais e internacionais, que se relacionam diretamente com o desafio de empreender e inovar para melhorar a competitividade de suas respectivas empresas.
Tive a oportunidade de conversar com Lauro Brito Filho, diretor executivo para o mercado de Telecom da empresa de tecnologia INDRA Brasil. Segundo ele, “a inovação tecnológica tem uma onda muito boa que vem do mundo “open source“, onde é possível encontrar software sem custo para inovar em transformação digital”. Os programas open source, Brito faz questão de lembrar, rodam em nuvens e são construídos por empreendedores e inovadores em rede que procuram, continuamente, a melhorar a solução. “Eles conseguem encontrar as melhorias por meio da rede colaborativa, onde todos empreendem na inovação e no conhecimento e onde o ganho é compartilhado”, afirma.
No entanto, Brito chama atenção também para o fato de que muitos CIOs (Chief Information Officers) — os diretores de tecnologia — não estão atentos a esta tendência de abertura, o que acaba por representar oportunidades perdidas para tornar as empresas mais competitivas, usando ferramentas como big data, machine learning e computação em nuvem. “Essa situação, acaba por abrir um espaço valioso para as startups, empresas com empreendedores focados e especializadas em prover soluções por meio de sistemas mais econômicos e em nuvem”, afirma. “Com certeza há muitos jovens por aí que já estão dando aula pra gente, os executivos formados nas escolas do século passado”.
Afirmações como essas mostram que, no Brasil, precisamos compreender mais e cada vez melhor sobre o princípio da chamada quarta onda da revolução industrial — chamada muitas vezes de “indústria 4.0” ou “a era big data”. Não há como fugir de uma nova era na qual, basicamente, seremos convidados a mudar o jeito como nos relacionamos, como trabalhamos e como vivemos integrados em sociedades organizadas.
Esse processo de transformação, não é definitivo — como nenhuma onda tecnológica anterior assim o foi. Para nossa geração, essa será apenas uma transição para um novo ecossistema onde seremos responsáveis por construir a base desta infraestrutura que será sim fundamentada e aperfeiçoada nos princípios da revolução digital.

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